A comunidade de Nova Brasília, em Bom Jesus da Lapa, iniciou na quinta-feira (8) o Tríduo preparatório para a Festa do Bom Jesus dos Navegantes, uma das mais tradicionais manifestações religiosas da fé ribeirinha no município. A programação segue até domingo (11) e reúne moradores, romeiros e pescadores. As atividades pastorais da capela retornaram aos cuidados do Santuário do Bom Jesus da Lapa em 2024, após um um período administrada pela Paróquia Nossa Senhora das Graças.
Neste ano, a festa tem como tema “O Bom Jesus dos Navegantes vive e mora no meio de nós” e como lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A abertura foi marcada pela Missa com a bênção e a levantada do mastro, ato simbólico que oficializa o início das celebrações.
Após a abertura, teve início o Tríduo Preparatório, com Ofício de Nossa Senhora, caminhada até a igreja e Missa diária, envolvendo diversas comunidades, pastorais e movimentos convidados. As celebrações refletem sobre a presença de Cristo na vida do povo e na missão da Igreja junto às comunidades ribeirinhas.
A expectativa está voltada para o domingo (11), Dia da Festa, quando acontecem os momentos mais aguardados da programação. Estão previstas alvorada festiva, Missa Solene, procissão fluvial, com apoio da Marinha do Brasil, e procissão terrestre, reunindo embarcações, pescadores, famílias e romeiros pelas ruas do bairro.
Tradição ribeirinha marcou a origem da Festa em Bom Jesus da Lapa
A Festa do Bom Jesus dos Navegantes acontece tradicionalmente no bairro Nova Brasília, vizinho ao Santuário do Bom Jesus da Lapa, e tem forte protagonismo da própria comunidade local.
A devoção foi trazida por ribeirinhos migrantes do norte da Bahia, principalmente das cidades de Remanso, Sento Sé e de outras localidades atingidas pela construção da Barragem de Sobradinho, na década de 1970, que provocou o deslocamento de milhares de famílias em pelo menos nove municípios da região.
Ligada diretamente à atividade da pesca, a devoção ao Bom Jesus dos Navegantes se consolidou com a chegada de famílias vindas também de Juazeiro. Entre os nomes que marcaram o início da festividade está Otacílio Eugênio, considerado um dos idealizadores da festa e que faleceu em 2024.
Desde 1965, moradores do bairro, pescadores e romeiros de diversas regiões se unem anualmente para celebrar o padroeiro dos navegantes e pescadores, mantendo viva uma tradição ligada ao rio São Francisco e à história das comunidades ribeirinhas.
