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Na mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações, Papa Leão XIV reafirma o valor da pessoa humana perante o avanço da inteligência artificial

Na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada no Dia de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas, o Papa Leão alerta para os desafios da comunicação digital e reafirma a centralidade da pessoa humana em tempos de inteligência artificial.

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Crédito: Alberto Pizolli/AFP

Na Mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada por ocasião da Festa de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas e comunicadores, celebrada neste sábado (24), o Papa Leão convida a Igreja e a sociedade a refletirem sobre os rumos da comunicação em um tempo marcado pelo avanço da inteligência artificial.

A data será celebrada em 31 de maio, com o tema “Preservar vozes e rostos humanos”, pelo qual o Pontífice recorda que o rosto e a voz expressam a singularidade de cada pessoa e não podem ser reduzidos a simples instrumentos de interação. Para o Papa, esses traços são sagrados porque revelam a dignidade humana recebida do próprio Deus, fruto de uma vocação pessoal que se constrói no encontro e na comunicação com o outro.

Comunicação e relações humanas

Ao tratar do impacto das tecnologias digitais, o Papa alerta que o uso desordenado desses recursos pode fragilizar elementos essenciais da convivência humana. Sistemas capazes de reproduzir rostos, vozes e comportamentos não afetam apenas a circulação de informações, mas alcançam o núcleo da comunicação, que é a relação entre pessoas reais.

Nesse contexto, Leão afirma que o principal desafio do tempo atual não está na técnica, mas na compreensão do que significa ser humano. A inovação digital deve ser acolhida com responsabilidade e discernimento, sem ignorar seus limites e consequências.

Riscos ao pensamento crítico

Na mensagem, o Pontífice chama a atenção para a lógica dos algoritmos que privilegiam respostas imediatas e emoções intensas, especialmente nas redes sociais. Esse funcionamento reduz o espaço para a escuta e para a reflexão, favorece o isolamento em grupos de opinião semelhantes e contribui para o aumento das divisões sociais.

O Papa também alerta para a confiança excessiva na inteligência artificial como fonte segura de respostas e orientações. Essa dependência pode enfraquecer a capacidade humana de interpretar a realidade, discernir a verdade e exercer a criatividade, empobrecendo o processo comunicativo.

A responsabilidade de não calar a própria voz

Leão reforça que a questão decisiva não é até onde as máquinas podem chegar, mas como o ser humano escolhe utilizá-las. Transferir à tecnologia funções como a criação, a imaginação e o discernimento significa abdicar dos dons recebidos e enfraquecer a relação com Deus e com o próximo.

Entre realidade e simulação

Outro ponto de preocupação é a dificuldade crescente de distinguir relações humanas autênticas de interações mediadas por sistemas artificiais. Ferramentas capazes de simular emoções e vínculos podem criar falsas percepções de proximidade, afetando de modo particular as pessoas mais vulneráveis.

Quando a tecnologia explora a necessidade humana de relacionamento, seus efeitos podem ultrapassar o âmbito individual e atingir a vida social, cultural e política das comunidades.

Caminhos propostos

Diante desse cenário, o Papa Leão afirma que a inovação digital não deve ser interrompida, mas orientada. Para isso, aponta três eixos fundamentais. A responsabilidade, que exige transparência, ética e a valorização do trabalho dos jornalistas e comunicadores, reconhecendo a informação como um bem público. A cooperação, que envolve o compromisso conjunto de diferentes setores da sociedade na construção de uma cultura digital consciente. E a educação, voltada ao fortalecimento do pensamento crítico, à avaliação das fontes e ao uso responsável das novas tecnologias.

Comunicação como vocação humana

Ao concluir a mensagem, o Papa Leão reafirma a necessidade de devolver ao rosto e à voz o seu sentido mais profundo, o de expressão da pessoa. Preservar a comunicação como dom é preservar a própria humanidade e orientar toda inovação tecnológica a serviço da vida, da dignidade e do verdadeiro encontro entre as pessoas.

 

Com informações do Vatican News.

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